segunda-feira, 28 de junho de 2010

FINAL DE ESTÁGIO

Chegou ao final a minha prática de estágio, onde tive a oportunidade de desenvolver o projeto que elaborei pensado nas crianças de seis anos do primeiro ano. Percebi após observar e escutar as suas falas, que o interesse pelo brincar permeava entre eles, o que é natural dessa faixa etária, por isso a escolha do tema brincar para o projeto. Na minha prática pedagógica busquei proporcionar o contado com o mundo da leitura, da escrita e do letramento com momentos lúdicos, através de uma aprendizagem voltada para o brincar, de maneira diversificada, sabendo da importância do jogo simbólico, das brincadeiras de faz de conta, das brincadeiras espontâneas e da construção de brinquedos e de jogos no cotidiano da sala de aula. Assim também se dá minha aprendizagem no momento em que estou tendo a oportunidade de colocar em prática o que aprendi no curso de pedagogia à distância da UFRGS. O que contribuiu muito para a construção deste projeto, assim como na construção do meu processo de aprendizagem, buscando e encontrando subsídios nas teorias estudadas através das leituras e atividades desenvolvidas nas interdisciplinas da EAD.
Refletindo sobre este período de estágio constatei que a minha aprendizagem foi significativa, havendo uma mudança na minha prática pedagógica, reciclando e agregando novos conhecimentos aos velhos, inovando em novas estratégicas pedagógicas, utilizando novos recursos, por exemplo, a criação do blog da turma. Destaco a importância de buscar sempre uma formação acadêmica, para acompanhar as novas gerações, que dominam com facilidade a evolução rápida das tecnologias e que através delas recebem muitas informações. Atualmente o professor deve estar preparado, atualizado para ser mediador, orientando e intervindo na construção do conhecimento de seus alunos.
Analisando meu projeto e o processo de aprendizagem dos alunos, constatei também que foi significativa a aprendizagem para os mesmos, através do brincar, os objetivos propostos foram alcançados. Os alunos demonstraram isso através de suas participações com interesse, curiosidade e satisfação ao desenvolverem as atividades, brincando e expressando suas opiniões, seus pré-conhecimentos e os novos conhecimentos adquiridos nesta trajetória. Segundo Fortuna (2000, p. 09) “Uma aula ludicamente inspirada não é, necessariamente, aquela que ensina conteúdos com jogos, mas aquela em que as características do brincar estão presentes, influindo no modo de ensinar do professor, na seleção dos conteúdos, no papel do aluno.” Acredito que construímos nossa aprendizagem, através da brincadeira o aluno constrói seu aprendizado tanto no sentido pedagógico como no simples fato de brincar por brincar. Nesta caminhada junto dos alunos do primeiro ano, nós obtivemos sucesso nas situações de ensino/aprendizagem.


REFERÊNCIA


FORTUNA, T. R. Sala de aula é lugar de brincar? In: XAVIER, M. L. M. e DALLA
ZEN, M. I. H. (org.) Planejamento em destaque: análises menos convencionais. Porto Alegre: Mediação, 2000.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

BLOG DA TURMA DO 1º ANO

Na escola em que trabalho e realizo meu estágio não temos acesso a internet e ao laboratório de informática o EVAM, só funciona no turno da manhã. Mesmo assim uso os outros ambientes da escola e busco utilizar outras tecnologias como estratégicas pedagógicas para introduzir os assuntos a serem estudados e desenvolvidos. Insatisfeita em não poder usar o computador e a internet na escola como uma ferramenta importante para a educação atualmente, resolvi criar um blog da turma, em casa fazendo uma retrospectiva das atividades realizadas durante o estágio, passando o endereço a suas famílias para que possam junto com seus filhos acessarem e visualizarem o trabalho desenvolvido em sala de aula. E assim indiretamente utilizar com os alunos esta tecnologia. Segundo Belloni,(1999, apud Damasceno)
“A Educação sempre foi e sempre será um processo composto de detalhes que se utiliza de algum meio de comunicação como instrumento ou suporte visando alcançar a qualidade no processo de ensino/aprendizagem e objetivando o melhor desempenho na ação do professor, na interação pessoal e direta com seu público.” “A educação é e sempre foi um processo complexo que utiliza a medida de algum tipo de meio de comunicação como complemento ou apoio à ação do professor em sua interação pessoal e direta com os estudantes”. (p.54).

Aprendi na interdisciplina de TICs (tecnologias da informação e da comunicação) do curso de pedagogia a distância da UFRGS, sobre a importância desta tecnologia para auxiliar no ensino e usá-la para comunicação, estudo, pesquisa, publicação de trabalhos entre outras aplicações no processo de ensino.
Para visitar o blog da turma de estágio, acesse o link: brincardeblog.blogspot.com/
REFERÊNCIA



BELLONI, Maria Luiza. Educação a Distância. 2ª. Ed. São Paulo: Editora Autores Associados, 1999. (p.53-77). Apud Damasceno In http://www.meuartigo.brasilescola.com/educacao/a-resistencia-professor-diante-das-novas-tecnologias.htm acesso em 20/06/2010.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A MAGIA DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIA

Venho descobrindo a magia que envolve as crianças na hora do conto. Aprendi através da interdisciplina de Literatura Infanto Juvenil e Aprendizagem do curso de pedagogia da UFRGS, que é possível fazer um trabalho instigante e desafiador com as nossas crianças, através da “contação” de história, que possibilitam trabalhos ricos explorando os recursos de linguagem dos textos, relacionando a situações narradas com as experiências das crianças. A literatura vem ao encontro do imaginário infantil é através dela que a criança começa a questionar, comparar e principalmente resolve e elabora conflitos, expressando seus desejos, medos e anseios através da linguagem simbólica das histórias infantis. De acordo com a entrevista sobre Projeto Xeromoá por Dreyer:

“A "contação" de histórias, especialmente, tem um efeito poderoso. Com ela e através dela, o aluno cria uma ligação de afetividade muito forte com o professor, torna-se mais atento, ativa sua curiosidade. Eles ficam felizes porque o professor inova em sala de aula e ansiosos para ter acesso a mais histórias e jogos.” (acesso 12/06/2010)

As histórias permitem que as crianças vivenciem seus problemas psicológicos de modo simbólico, funcionando como uma válvula de escape para suas aflições. O sentimento de amor, medo, inveja, coragem, são vividos diariamente, porém muitas vezes ela não consegue expressá-los e é por meio das histórias, quando se projeta nos personagens, que ocorre a identificação e a elaboração dessas situações.
Ouvir histórias é importante para a formação de qualquer criança, sendo o início da aprendizagem para formar um leitor. Outro aspecto é a construção da linguagem, pois através da leitura de histórias o educador está mostrando modelos de linguagem, seqüência lógica dos fatos, enfim, auxilia a criança na organização do pensamento.
O primeiro contanto com uma história, fábula ou conto é feito oralmente, É a partir das histórias contadas pelos pais e educadores que as crianças têm seu primeiro contato com o mundo literário, abrindo seus horizontes, ampliando seus conhecimentos e sua visão de mundo.
Para encantar e despertar o interesse na hora de contar histórias, eu planejo e preparo-me, buscando conhecer a história que vou contar, evitando o improviso. Sisto (2001) destaca que é importante usar a “linguagem de acordo com a platéia, visualizar a história enquanto narra; criar um roteiro visual e verbal, por episódio, na seqüência da história, preparar a história antes; ensaiar sempre”.
A história bem contada contagia e faz sonhar, fazendo o ouvinte viajar, principalmente quando o narrador acredita na história que está sendo contada, dando à apresentação um tratamento de espetáculo. Acredito no desenvolvimento de atividades significativas que proporcionem as crianças descobertas no mundo da imaginação, apresentados pela literatura infantil.
Por tudo isso meu trabalho com a turma de primeiro ano é permeado de “contação” de histórias, tanto realizadas por mim, quando contada por eles próprios, que com empenho e entusiasmo, recontam, criam e promovem a integração com a literatura a partir de suas próprias linguagens e expressões.


REFERÊNCIAS


DREYER, Diogo. Espalhando o pólen da educação através da cultura popular – Educacional Entrevista. In http://www.educacional.com.br/entrevistas/entrevista0089.asp acesso em 12/06/2010 In: Interdisciplina de Literatura Infanto Juvenil e Aprendizagem, 2007. In
http://pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo3/Literatura_InfantoJuvenil_Aprendizagem/bloco1/atividade_bloco2.htm

SISTO, Celso. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias. Chapecó; Argos, 2001.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A DIFÍCIL TAREFA DO DISCURSO ORAL

Esta chegando mais uma vez a apresentação final do semestre, com WORKSHOP. Já era para estar preparada para falar, defendendo e expressando oralmente minhas aprendizagens para uma banca de professores e colegas, pois desde 2006 que o curso de pedagogia a distância da UFRGS vem nos preparando para enfrentarmos este momento. Mas sempre provoca aquele friozinho na barriga, e o medo aparece. Mas que culpa temos se não somos preparados pela escola para falarmos em público. Há aqueles que já nascem com o dom da palavra. Mas os que não dispõem desse dom? Segundo a reportagem sobre “A fala que se ensina” da revista Nova Escola, fico pensando qual o papel da escola? “Por alguns instantes, volte ao passado: algum professor ajudou você a saber como falar? Salto para o presente: na sua prática em sala, você se preocupa em abordar conteúdos da oralidade? É possível que a resposta às duas perguntas seja a mesma: um sonoro "não".”(Ed. 215. 09/2008)
Não lembro no meu tempo escolar de algum professor ter criado situações em que pudéssemos nos expressar oralmente. Se bem me lembro sempre sentávamos um atrás do outro e copiávamos do quadro e repetíamos as lições conforme o professor mandava. Houve uma vez, já no segundo grau, que tentei expor minha opinião sobre um assunto, simplesmente o professor disse que não poderíamos falar e discutir sobre o assunto e ponto final. Talvez por ser na época da ditadura, não sei.
Mas será que continuamos a reproduzir essas situações como docentes em nossas salas de aula? Não proporcionando situações em que os alunos possam se expressar e se preparar para saber defender suas idéias e se apresentar em público.
Já ouvi professores dizerem que o aluno não se preparou bem para a exposição de um trabalho oral. Mas em que momento nos professores proporcionamos situações reais em que o nosso aluno possa aprender a preparar-se. Além de nos preocuparmos com os conteúdos a serem desenvolvidos, devemos pensar em intervenções e situações didáticas para que as crianças aprendam a expressar-se de modo formal ou informal. De acordo com a reportagem da revista Nova Escola, a escola precisa preparar a criança a expor o que aprendeu utilizando a linguagem oral adequadamente.

"Cabe à escola ensinar o aluno a utilizar a linguagem oral nas diversas situações comunicativas, especialmente nas mais formais", afirmou o psicólogo suíço Bernard Schneuwly em entrevista à NOVA ESCOLA em 2002. Considerado um dos maiores estudiosos sobre o Desenvolvimento da oralidade, ele defende que os gêneros da fala têm aplicação direta em vários campos da vida social - o do trabalho, o das relações interpessoais e o da política, [...] (Revista Nova Escola, 2008)


Refletindo sobre a importância da oralidade, percebo a necessidade de permear práticas pedagógicas que valorizem o desenvolvimento desta habilidade em todas as fases de escolarização, desde a Educação Infantil, com situações comunicativas em sala de aula. Infelizmente o que se percebe e que na medida em que as crianças crescem, as oportunidades de manifestação oral tornam-se mais escassas. Dão-se poucas oportunidades para os alunos maiores manifestarem-se oralmente durante as atividades e, muitas vezes, a fala fica restrita a resposta de alguma pergunta.
Na turma do primeiro ano em que estou realizando meu estagio de pedagogia, procuro privilegiar estes momentos de escuta dos alunos, as situações de conversa com os pequenos devem ser intensamente exploradas no cotidiano, sendo importante para que a criança desenvolva a oralidade para que possa se expressar nas mais diversas situações. Acredito que a expressão oral também favorece a alfabetização. Segundo Rojo (2006) quando afirma que a fala antecede a escrita:

[...] se a fala antecede ou tem prece­dência sobre a escrita, não é senão no sentido em que o discurso oral é o meio e a trama pelo qual todas as constru­ções do propriamente humano são arquitetadas: a própria fala, o sujeito, o outro, o mundo para o sujeito, a fala à maneira da escrita (a fala letrada) e, finalmente, como objeto do/no mundo, a própria escrita em sua materialidade. (p. 11)

Acredito que oportunizar situações de diálogo com as crianças do primeiro ano, explorando esses momentos espontâneos. É garantir espaços para que as crianças contem as novidades, realizem avaliações sobre suas aprendizagens, dificuldades, conflitos, troquem idéias, enfim, é um espaço garantido de troca e interação. Dar oportunidade de desenvolver a oralidade e a própria escrita, como parte do sujeito inserido no mundo e, aprendiz e construtor do seu próprio mundo.


REFERÊNCIAS

Revista Nova Escola. A fala que se ensina. In http://revistaescola.abril.uol.com.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/fala-se-ensina-423559.shtml acesso em 05-06-2010.

ROJO, Roxane Helena Rodrigues. Concepções não-valorizadas de escrita: a escrita como “um outro modo de falar”. In: KLEIMAN, Angela. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2006. p. 65-89. In http://www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo7/linguagem/ acesso em 05-06-2010.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O EGOCENTRISMO PRESENTE NA SALA DE AULA

Refletindo sobre minha aprendizagem como docente, durante o estágio percebi o quanto senti necessidade de retomar as leituras realizadas durante as interdiciplinas do curso de pedagogia a distância da URGS. Busquei com isso embasamento para minha prática pedagógica, e me dei conta de como estão sendo importantes para realizar os planejamentos e as reflexões.
Hoje resolvi escrever sobre como as leituras estão me ajudando a compreender e a lidar com o egocentrismo que ainda está bem presente na sala de aula, o que é normal nesta faixa etária dos seis anos. Segundo Marques (2005):

“A capacidade simbólica da criança pré-operatória é marcada pelo egocentrismo já que, em função da ausência de um equilíbrio entre os processos de assimilação e acomodação, há muitas assimilações deformantes da realidade ao eu, sem uma acomodação completa. Logo, o pensamento da criança pré-operatória é egocêntrico, o que significa que não é capaz de lidar com idéias diferentes das suas em relação a um determinado tema.” (p, 59)


Tenho percebido como as crianças disputam entre si por diferentes motivos: pela atenção, amizade, e até pelo mesmo brinquedo. Esta semana houve uma briga entre os colegas porque uma das crianças quer a amizade de outra só para si, não quer que ela brinque com os demais, pois acha que ela tem que ser só sua amiga. Eu intervi explicando que todos devem brincar juntos e serem amigos, mas percebo que só conversar e explicar não resolve, porque para a criança não é fácil lidar com opiniões diferentes da suas. Durante as brincadeiras também é visível a postura egocêntrica, percebe-se que as crianças brincam muitas vezes ao lado das outras crianças, mas brincar com os colegas, especialmente com mais de dois ao mesmo tempo acaba provocando atritos, pois a criança acaba ficando muito centrada em si mesma e desconsidera o querer, o desejo, a necessidade e a presença do outro.
Para Marques (2005):

“Embora muitos interpretem-no como perda de tempo, o brincar é, ao contrário, o alimento para o intelecto da criança, como se pode ver na obra que se debruçou sobre a questão do jogo: A formação do símbolo na criança. Piaget (1976) questiona-se a respeito das implicações que o brincar possa ter para a educação, já que ele permite o desenvolvimento cognitivo: por que não transformar a educação em uma atividade lúdica? E isso não poderia ser estendido a qualquer grau de ensino?” ( p, 87)

O brincar, o brinquedo e as brincadeiras grandes estímulos ao desenvolvimento cognitivo, social e afetivo da criança, assim como contribuem para o desenvolvimento físico e psíquico das crianças. Toda criança precisa poder brincar e cabe ao professor estar atento e proporcionar estes momentos entendendo não como um premio, mas como uma necessidade.
A brincadeira contribui na socialização, pois oferece oportunidades de realizar atividades coletivas livremente, além de contribuir positivamente com o processo de aprendizagem, estimular o desenvolvimento de habilidades básicas e a aquisição de novos conhecimentos, também ajuda a criança a lidar de uma maneira mais espontânea e natural, consequentemente menos dolorosa com aspectos relativos ao egocentrismo.

"No desenvolvimento a imitação e o ensino desempenham um papel de primeira importância. Põem em evidência as qualidades especificamente humanas do cérebro e conduzem a criança a atingir novos níveis de desenvolvimento. A criança fará amanhã sozinha aquilo que hoje é capaz de fazer em cooperação. Por conseguinte, o único tipo correto de pedagogia é aquele que segue em avanço relativamente ao desenvolvimento e o guia; deve ter por objetivo não as funções maduras, mas as funções em vias de maturação" (Vigotski, 1989, p. 138).


Não é apenas a espontaneidade do jogo que o torna uma atividade importante para o desenvolvimento da criança. Ele é importante pelo exercício que proporciona no plano da imaginação da capacidade de planejar, na possibilidade de imaginar situações diversas, de representar papéis e situações que vivem no dia a dia, bem como, o caráter social das situações lúdicas, os seus conteúdos e as regras que surgem a cada situação.
Por isso tenho proporcionado brincadeiras e atividades que envolvem cooperação, socialização e união.
Através das leituras, aliadas a minha prática, aprendi que devo continuar contemplando nos meus planejamentos atividades que socializem, buscando entre eles a amizade, o companheirismo, a solidariedade e a cooperação, através do brincar, do jogo simbólico, do faz de conta, do teatro, da música e dos trabalhos em grupo em que precisam se ajudar e compartilhar materiais.
Para Montenegro e Maurice-Naville (1998, apud Marques 2005, p. 79) o conceito de cooperação merece destaque na contraposição ao egocentrismo. Ela “consiste no ajustamento do pensamento próprio ou das ações pessoais ao pensamento e às ações dos outros, o que se faz pondo as perspectivas em relação recíproca. Assim, um controle mútuo das atividades é exercido entre os parceiros que cooperam”.
Espero estar no caminho certo ao buscar a participação dos alunos em atividades que necessitem de cooperação entre si. Penso que com isso eu esteja colaborando para que haja a descentralização do egocentrismo na turma do primeiro ano.


REFERÊNCIAS


MARQUES, Tania Beatriz Iwaszko. Do Egocentrismo à Descentração: a docência no ensino superior. Porto Alegre: UFRGS, 2005. Tese de doutorado.

VIGOTSKI, Lev. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

UM OLHAR PERCEPTIVO

Refletindo sobre esta semana que passou, resolvi escrever sobre o olhar perceptivo, aquele olhar que percebe o que está acontecendo ao seu redor, que observa os alunos na construção de sua aprendizagem e consegue distinguir a dificuldade encontrada por uma criança em determinada atividade, ou a facilidade de outra para resolver a mesma atividade. Aprendi com Picetti e Rangel (2007) que: “É papel do professor estar atento aos momentos cruciais em que o aluno é sensível a perturbações e a contradições na área de construção do conhecimento, para que assim posso ajudá-lo a avançar no sentido de uma nova reestruturação. (p, 07) Neste sentido acredito que devemos estar atentos, observando e escutando a fala das crianças, para perceber como e quando intervir na construção de suas aprendizagens. Foi o que aconteceu esta semana, ao desenvolver uma atividade sobre noções de mais e menos (soma e subtração), onde descobri que uma aluna ainda não tinha essas noções.
Tomando por base meu olhar perceptivo, acreditei que os alunos do primeiro ano, já tinham estas questões bem resolvidas e não teriam dificuldade em realizar a atividade, pois eles passaram pela Educação Infantil I e Educação Infantil II., entretanto percebi que a noção de complexidade do professor pode ser diferente daquela da criança, ou de uma criança para outra, percebi isto quando propus a atividade em que as crianças tinham que identificar qual o conjunto que tinha mais quantidade de gravuras, e o que tinha menos quantidade. Para mim era uma atividade simples, e considerei que seria de fácil entendimento por todos da turma do primeiro ano, mas não foi assim que ocorreu. Para minha surpresa, esta a atividade era complexa demais para uma determinada criança, enquanto que para as outras era tão simples que resolveram rapidamente.
Nós professores, temos que oferecer condições para que um sujeito resolva um novo problema, valendo-se “de certas coordenações de estruturas já construídas, para reorganizá-las em função de novos dados” (Piaget apud Marques, 1995. p.6)
Percebi que a prática pedagógica é de idas e vindas, conduzindo as crianças em suas aprendizagens para que todas consigam construir suas aprendizagens desenvolvendo suas habilidades, dentro de seu próprio ritmo.
Pretendo proporcionar mais brincadeiras e jogos sobre noções de maior, menor, mais e menos nos próximos planejamentos, para que através da ludicidade, as crianças construam suas noções a partir de estruturas já construídas e concebidas para que possa resolver novos desafios, agregando novos conhecimentos aos velhos conhecimentos em sua construção do saber.


REFERÊNCIAS

PICETTI, Jaqueline Santos, RANGEL, Annamaria P. Síntese composta dos capítulos 1, 2, 3, 4, 5 e 8, sendo excluídos os capítulos 6 e 7. FERREIRO, Emília & TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988. In interdisciplina de Fundamentos da Alfabetização. EAD. UFRGS, 2007.

PIAGET, Jean. O desenvolvimento mental da criança. In: Seis estudos de psicologia. Rio de Janeiro: Forense. Ler primeira parte: página 11 a 16. Epistemologia Genética In interdisciplina de Desenvolvimento e Aprendizagem sob Enfoque da Psicologia II.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

MINHA CAMINHADA NA ÁREA DA EDUCAÇÃO

Esta semana foi especial, estava prevista a visita da minha supervisora Tania Marques, nós estávamos ansiosos pela visita. Ontem os alunos perguntaram se a minha professora iria vir, e eu respondi que era amanhã no dia 13/05/2010, então eles disseram: - “temos que arrumar a sala para esperar a visita.” Eles organizaram o cantinho dos brinquedos, a caixa dos jornais, das revistas e dos livrinhos de história. Hoje chegaram ansiosos pela visita, reclamaram que os alunos da manhã tinham desarrumado o que eles tinham arrumado no dia anterior. Começamos as atividades da tarde, e tivemos a surpresa de receber não só a visita da minha supervisora Tania, como também da tutora Denise. A aula transcorreu como havia sido prevista, com as atividades sendo desenvolvidas com tranqüilidade e com a participação de todos. Eles ficaram só um pouquinho mais agitados do que o normal, pois todos queriam a atenção das duas visitas. Demonstraram terem gostado muito deste momento que foi muito alegre e festivo.
A aula a ser observada realizaria trabalhos voltados ao raciocínio lógico-matemático, para minha alegria, as crianças têm gostado muito dos jogos e brincadeiras trazidas para estas aulas e mais uma vez me surpreenderam por suas colocações, habilidades e pré-conhecimentos.

O trabalho com noções matemáticas na educação infantil atende, por um lado, às necessidades das próprias crianças de construírem conhecimentos que incidam nos mais variados domínios do pensamento; por outro, corresponde a uma necessidade social de instrumentalizá-las melhor para viver, participar e compreender um mundo que exige diferentes conhecimentos e habilidades. MEC/SEF (1998. p. 207.)

Muito embora o texto acima se refira à Educação Infantil, as mesmas necessidades e objetivos podem ser repassadas ao 1º ano e às séries iniciais do Ensino Fundamental, além disso, para mim nunca é demais dizer que mesmo as crianças se envolvendo bastante com estes desafios, o professor não pode ficar passivo, mas ser um agente mediador das circunstâncias. Posso crer que foi exatamente isso que as visitas da tarde de hoje puderam observar e registrar.
Quero agora compartilhar neste blog como se deu uma parte desta aula.
Nas atividades desta tarde, trabalhei com bolas de gude, garrafa PET e caixa tátil, para introduzir cálculo mental e também trabalhar os números e suas respectivas quantidades, usei como estratégia pedagógica o jogo. Nele cada criança deveria adivinhar o número que pegou, apenas pela percepção tátil (pelo toque, com as pontas dos dedos e com as mãos). Representar a quantidade colocando as bolas dentro da garrafa e, logo em seguida, registrando no papel. Também foram feitos questionamentos sobre quantas bolas de gude tem ao todo, caiu uma ficou quantas? Ou têm cinco dentro da garrafa vou colocar mais duas, quantas tenho ao todo agora? Oportunizando as noções de adição e subtração.
Os jogos de raciocínio lógico-matemático proporcionam as crianças realizar suas possibilidades e construir idéias matemáticas, explorando e esgotando todas as possibilidades e hipóteses. O professor participando junto tanto aprende como ensina, pois as crianças são criativas para encontrar soluções para os desafios que lançamos. Muitas vezes as soluções encontradas pelos alunos não são a esperada pelo professor, mas não deixa de estar certa a solução encontrada. Concordo com a matéria da Revista Escola, em que afirma a importância de começar cedo o trabalho com cálculo mental.

Quanto mais cedo começa o trabalho com cálculo mental, melhor será a compreensão da criança sobre a constituição dos números e as operações em jogo. O aluno que não consegue criar uma estratégia de ação diante dos problemas ou age de modo totalmente automatizado no algoritmo - sem ter ideia da operação que ele representa - precisa ter o sistema de numeração trabalhado com o cálculo mental, não importa a série em que ele esteja. (Revista Escola, 2009)

Nestas minhas caminhadas na área de educação já tive a oportunidade de ouvir o relato de uma colega, sobre uma aluna que tinha resolvido uma atividade de matemática ao contrário do esperado. Segundo esta colega, ao corrigir a atividade ela já ia chamar a aluna para reclamar que atividade não estava correta, (mas um “correto” de acordo com a forma que a professora havia ensinado) quando então percebeu que a aluna tinha acertado tudo: o resultado da operação estava correto. A aluna encontrou do seu jeito, uma forma simplificada (para si) de resolver a questão, diferente do “ensinado” e, consequentemente esperado pela professora. Diante desta e circunstância a professora teve que reconhecer o acerto e elogiar a menina, ficando comprovado que ninguém é detentor da verdade e de um único saber, e que, além disso, aprendemos o tempo todo, uns com os outros, na troca de experiências e vivências, através de descobertas, dos acertos e dos erros.
A previsão da visita da supervisão do estágio gerou certa ansiedade. Aprendi com isso que, mesmo com toda a experiência que tenho, atuando como professora, me senti “amedrontada” diante de um processo de novo (ser observada e avaliada) o que gerou em mim, ansiedade e um pouco de insegurança. Procurei integrar como sempre, toda a teoria que venho adquirindo ao longo do meu curso à caminhada de tantos anos como professora e deixar me envolver no sentimento de prazer e liberdade, para que a aula fluísse com a maior naturalidade possível me distanciando daquele nervosismo.
Me dei conta ainda que nesses momentos a experiência conta, pois após o primeiro momento, a ansiedade foi embora, ficando a tranquilidade e a segurança de quem sempre buscou fazer o melhor no que faz, no dia a dia da minha prática em sala de aula. Acredito ainda que consegui passar a mesma tranqüilidade e segurança para os alunos, durante a realização das atividades, pois eles demonstraram isso através de suas atitudes, agindo como sempre: com interesse, curiosidade, participação e alegria tornando a aula dinâmica e produtiva.


Fotos dos alunos do 1º ano, trabalhando com cálculo mental e aprendendo noções de adição e subtração. Também identificando os números e suas respectivas quantidades através de jogos.













REFERÊNCIA


Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil: Conhecimento de mundo. Brasília. MEC/SEF, 1998. P. 207.

Revista Escola. Abril. 2009 IN http://revistaescola.abril.com.br/matematica/pratica-pedagogica/calculo-mental-nao-chute-500417.shtml?page=2 acesso em 11/05/2010