segunda-feira, 3 de maio de 2010

APRENDIZAGENS FAZENDO A DIFERENÇA

Nesta semana que passou pude observar a diferença que a minha vida acadêmica está fazendo na minha vida profissional e pessoal. Quero salientar aqui a diferença na minha vida pessoal, se não fossem as aprendizagens que adquiri nos estudos realizados nas interdisciplinas do curso de pedagogia a distância da UFRGS, não teria como auxiliar meus filhos que estão iniciando suas vidas acadêmicas. Lembro-me de uma mãe, certa vez, que estava feliz porque tinha voltado a estudar e já conseguia acompanhar os estudos dos filhos (pequenos) na escola. Eu como tive a oportunidade de estudar concluindo o curso técnico e ensino médio (magistério), me sentia numa posição mais cômoda, pois para mim, sempre foi fácil ajudar e acompanhar meus filhos no início de seus estudos. Com o passar dos anos, eles também chegaram ao ensino médio e ingressaram no ensino superior. A partir de então, comecei a sentir dificuldades para acompanhá-los e ajudá-los, muitas vezes tendo que recorrer a outras pessoas, inclusive pagando por esses serviços. Estou fazendo uma retrospectiva, para melhor situar o leitor sobre o que estou escrevendo. Nesta semana, minha filha que está cursando design de calçado, precisou do meu auxílio em um de seus trabalhos, trocamos conhecimentos, idéias e informações. Assim como me senti ensinando também aprendi com ela, para Freire (2205, p. 39) “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”, o que mais uma vez comprova que a aprendizagem é um processo constante e que se dá numa relação de troca. Coloquei em prática o que aprendi ao longo do meu curso da EAD, tem sido para mim um curso de excelência, exigente, que nos cobra ao mesmo tempo em que incentiva, para que cada vez façamos o melhor. Assim como aquela mãe estava feliz, eu também fiquei feliz por conseguir contribuir com minha filha em seus estudos. Tenho certeza que as aprendizagens adquiridas vão fazer muita diferença ao longo de minha caminhada.
Tomando por base as leituras e reflexões feitas a partir das obras de Freire, autor no qual tenho buscado fundamentação percebi que minha aprendizagem está fazendo a diferença no dia a dia com os alunos, e isso pode ser constatado através da evolução de minha práxis pedagógica.
Para ilustrar esta última colocação, cito uma das aulas dessa semana, onde senti necessidade de novamente de recorrer à pesquisa, para não “barrar”, nem “esbarrar” na curiosidade dos alunos, por acreditar que é de fundamental relevância incentivar o senso de investigação e a capacidade de ir além do proposto na atividade. Isto eu também aprendi através das interdisciplinas do curso de pedagogia da EAD. A curiosidade dos alunos já havia sido provocada, através da construção do terrário, pois pegamos diversos bichinhos na horta e no jardim, ficando uma dúvida: havíamos pegado uma centopéia ou uma lacraia? Saímos do pátio e fomos investigar. Após a pesquisa descobrimos que o que tínhamos pegado não era nem centopéia, nem lacraia, mas um piolho de cobra. Esta situação de aprendizagem me remete a Freire, apud Semíramis, quando diz:

"Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. E cabe ao professor continuar pesquisando para que seu ensino seja propício ao debate e a novos questionamentos. A pesquisa se faz importante também, pois nela se cria o estímulo e o respeito à capacidade criadora do educando [...]" (Freire apud Semíramis, http://www.orecado.org/?p=23 acesso em 02-05-2010.)



REFERÊNCIAS



FREIRE, Paulo - Pedagogia do Oprimido, 17ª. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. (O mundo, hoje, v. 21)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

MINHA CAMINHADA AO LADO DA TURMA DE PRIMEIRO ANO



Quero registrar minhas aprendizagens ao longo desta semana destacando ainda mais o lugar do jogo simbólico, das brincadeiras de faz de conta no dia a dia de minha sala de aula.
Sabemos que o universo fantasioso impera as vivências das crianças, e tenho me certificado disso a cada dia que passa e que avança minha caminhada ao lado da turma de primeiro ano.
Já salientei algumas vezes durante minhas falas a importância da atividade lúdica, e com certeza a aprendizagem baseada no lúdico se torna mais prazerosa e divertida. Lembro-me muito bem da forma como fui alfabetizada, das infinitas repetições, das “famílias silábicas” dos textos tão pobres linguisticamente falando que não atraiam a atenção e não estavam carregados de significados. Não consigo me lembrar de nenhum espaço para brincar, de nenhum tempo para me expressar livremente, para sugerir, para opinar. Não, a sala de aula era um lugar frio, onde o professor mandava e nós obedecíamos, perguntava e nos respondíamos.
Diante de minha atuação como professora resolvi romper imediatamente com este tipo de prática, buscando formar um forte vínculo com meus alunos, através de propostas diversificadas e não maçantes.
Enquanto brincam de faz de conta, desenhando, as crianças, reproduzem e buscam compreender o mundo, guiadas pela própria imaginação.
Nesta perspectiva concordo com Monteiro (2009, p.65) quando afirma que: “a brincadeira e o jogo de faz de conta são considerados como espaços de compreensão do mundo pelas crianças, na medida em que os significados que ali transitam são apropriados por ela de forma especifica.”
A prática com as crianças tem sido muito gratificante tenho conseguido me envolver tanto, que alguma vezes, me sinto imersa no mesmo ambiente “fantasioso” que eles. Brinco, falo sério, resolvo questões, desafio, repenso minha prática em meio a tantas brincadeiras me possibilitando avançar e investir cada vez mais nesse tipo de atuação que tanto beneficia professor e aluno enriquecendo a prática.
Estou muito feliz e satisfeita com o desenvolvimento do trabalho.




REFERÊNCIA




MACIEL, F. I. P., BAPTISTA, M. C., MONTEIRO, S. M. (orgs.) - A criança de seis anos, a linguagem escrita e o ensino fundamental de 9 anos, orientações para o trabalho com a linguagem escrita em turmas de crianças de seis anos de idade - Belo Horizonte: UFMG/ FaE/CEALE, 2009.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

MINHAS APRENDIZAGENS


Esta semana decidi escrever um pouco a respeito de minhas aprendizagens, mas me direcionando ao papel da família. Quando falo de família refiro-me a minha própria família e a dos meus alunos.
Assim quero hoje destacar que a aprendizagem se dá por todo tempo em diferentes momentos, mas não cessa. Aprendemos o tempo todo. Segundo Lindgren (1977, p.86) “...pais e professores estão sempre ensinando simultaneamente...”
Na família assim como na escola, a criança vai retendo o que vivencia, especialmente em termos de sentimentos, o que seus pais e professores sentem e expressam com relação à vida que vivem, que gostariam de ter, como percebem a aprendizagem, e a importância que dão ao conhecimento, assim como demais valores arraigados, que trazem conscientemente ou inconscientemente para sua vida diária.
Nós conseguimos ao longo de nossa vida esquecer muitas noções, conceitos e regras que alguns professores tentaram nos ensinar, mas jamais esquecemos o jeito das pessoas, a forma como nos tratavam: dóceis, amargos, rudes ou amáveis, etc.
As atitudes da nossa família e da nossa escola deixam em nós marcas para o reto de nossas vidas. Dessa forma no meu papel de educadora tenho tentando a cada momento fazer o trabalho com meus alunos engajando a família, trazendo-os para dentro da escola para compartilhar vivências, conquista e desafios.
A aprendizagem passa necessariamente pela família.
No lugar que ocupo enquanto aluna da pedagogia, tenho buscado também na família o respaldo, a compreensão e a força para enfrentar meus anseios, minhas dificuldades e dividir minhas vitórias. Neles tenho encontrado o apoio necessário, o encorajamento e as palavras “certas” que me impulsionam a ir além e não desistir. Penso, e não consigo imaginar “se fosse o contrário?” Será que meu desejo de aprender seria o mesmo? Acredito que não!
Já no lugar de professora coloco-me no papel de facilitadora, priorizando o respeito, a confiança e o afeto, estabelecendo com os alunos e seus familiares uma relação sincera e interessada, pois não há aprendizagem com família e escola dissociadas.


REFERÊNCIA


LINDGREN, Henry Clay. Psicologia na sala de aula; o aluno e o processo de aprendizagem. Rio de Janeiro, Livros Técnicos e Científicos. 1977, 2 vols.V.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

REFLEXÃO SOBRE MINHAS APRENDIZAGENS

Nesta postagem gostaria de compartilhar com os professores, colegas e tutoras, minhas certezas, mas também um pouco da minha necessidade de continuar minha caminhada na busca pelo conhecimento que respalde a cada dia mais a minha práxis pedagógica.
Têm sido infinitas as leituras realizadas por mim ao longo desta caminhada como acadêmica de pedagogia da UFRGS, pois cada disciplina vem agregando novos conhecimentos os quais tenho procurado pôr em prática quando de minha atuação com meus alunos. Entretanto, o que gostaria de destacar aqui é a sede que tenho sentido no sentido de me aprofundar, pois cada novo texto trabalhado e sugeridos nas disciplinas me tem feito buscar em outros materiais, em outras leituras complementares, mais dados para tornar meu conhecimento acadêmico cada vez mais consistente, podendo assim aliar minha prática e meu discurso ao que tenho lido e estudado, tornando-me uma profissional, mais consciente e cada vez mais coerente com aquilo que pratico, que faço, e com o que falo.
Confesso que refletir sobre minha prática profissional e pessoal não foi inicialmente uma tarefa muito fácil, espero que ao longo de minhas postagens esse exercício se torne mais ameno e menos angustiante. Pensar sobre a Valéria que eu era ao iniciar o curso e a Valéria na qual me transformai me deixa feliz, mas ao mesmo tempo também me angustia, pois percebo algumas falhas cometidas no passado, que com a fundamentação obtida com as aulas, as contribuições dos professores, colegas e tutoras, com a interação, com a troca de experiências e com a construção de minha aprendizagem jamais me permitiria que ocorressem hoje.
Uma situação prática com a qual me surpreendi bastante ocorreu na semana passada, quando fui questionada sobre o excesso de brincadeiras que estaria tendo na escola, pois segundo a pessoa: “a escola é lugar para aprender, e não ficar solto brincando.” Inicialmente me choquei com estas falas, depois procurei me centrar e argumentar, fundamentando o trabalho que venho desenvolvendo com as crianças. Lembrando de algumas leituras, consegui expor meus objetivos, e mostrar o quanto estou segura e buscando nos materiais estudados desenvolver uma prática consciente e consistente. Deixei claro o quanto é importante brincar e que muito embora a pessoa desacredite, eu acredito que teremos sucesso. Nesta ocasião pude notar o quanto evoluí, pois há algum tempo atrás jamais teria conseguido argumentar com tamanha segurança, e devo isso ao meu empenho e meus estudos na PEAD.
Após este incidente passei a observar ainda mais os alunos durante a realização das atividades propostas e percebi como as crianças de seis anos gostam realmente de brincar, inventar e recriar o mundo adulto através das brincadeiras informais. Elas mesmas criam regras para as brincadeiras. Notei, na prática, o quanto é importante o professor participar e interagir em alguns momentos lúdicos que proporcionam prazer e diversão, além de deixar brincar pelo simples fato de brincar, o que contribui para aprendizagens significativas.
Senti necessidade de buscar embasamentos teóricos nas leituras realizadas nas interdisciplinas ao longo do curso de pedagogia, para a construção do projeto pedagógico. Na interdisciplina de Desenvolvimento e Aprendizagem sob o enfoque da Psicologia II, realizei novamente as leituras pertinentes a aula 5 - Estagio do Desenvolvimento, no texto sobre Epistemologia Genética e construção do conhecimento, entendi um pouco mais a perspectiva piagetiana, na tentativa de compreender como se dá a aprendizagem e como o meio influência, contribui ou interferem na aprendizagem do sujeito. Aprendi através do estudo que ambos têm a mesma importância, não podendo apenas nos apegar a um ou ao outro para definir o desenvolvimento da aprendizagem.

Segundo Cunha (1999, p.27), o sujeito será sempre o resultado da “interação da informação hereditária com seu meio, de maneira que, como salienta Piaget, ao analisar o resultado da interação, não se pode atribuir importância menor nem ao sujeito nem ao meio, na sua constituição”, o que significa que a causalidade não pode ser atribuída a um deles apenas. CUNHA, 1999, P. 27 apud de MARQUES, 2005, p. 02.

Dentro dessa perspectiva percebo a importância de proporcionar a criança condições de interagir com os demais em um ambiente propício para aprendizagem, não subestimando a capacidade do sujeito de aprender, principalmente do sujeito enquanto criança.
“[...] assim como o trabalho manual e o domínio do desenho são para Montessori, exercícios preparatórios para o desenvolvimento da habilidade da escrita, também o jogo e o desenho deveriam ser estágios preparatórios para o desenvolvimento da linguagem escrita das crianças. Os educadores deveriam organizar todas essas ações e todo o complexo processo de transição de um tipo de linguagem escrita para outro. Deveriam seguir todo o processo através de seus momentos mais críticos até a descoberta de que não somente se podem desenhar objetos, mas que também se pode representar a linguagem. Se quiséssemos resumir todas essas exigências práticas e expressá-las em uma só, poderíamos dizer simplesmente que às crianças dever-se-ia ensinar-lhes a linguagem, não a escrita das letras”. (VYGOSTSKY, 2000, p. 178) Apud de MACIEL. 2009. P. 20.

Pensando nos alunos de seis anos, estou construindo o projeto brincar, a partir das observações e das escutas dos mesmos, aprendi que durante as situações de brincadeiras as crianças descobrem as habilidades de ler e escrever, quando surge a necessidade de se utilizar dessas habilidades para jogar e brincar.

REFERÊNCIAS



MACIEL, F. I. P., BAPTISTA, M. C., MONTEIRO, S. M. ( orgs. ) - A criança de seis anos, a linguagem escrita e o ensino fundamental de 9 anos, orientações para o trabalho com a linguagem escrita em turmas de crianças de seis anos de idade - Belo Horizonte: UFMG/ FaE/CEALE, 2009.

MARQUES, Tania Beatriz Iwaszko. - EPISTEMOLOGIA GENÉTICA E
CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO Texto extraído de: Do Egocentrismo à Descentração: a docência no ensino superior. Porto Alegre: UFRGS, 2005. Tese de doutorado.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

INÍCIO DE UMA TRAJETÓRIA

A minha turma pintando o coelhinho de garrafa PET e num outro momento brincando, jogando e lendo (atividade livre no cantinho diversificado)
Estou iniciando uma trajetória de descobertas que envolvem inclusão na turma em que vou estagiar. Observando e analisando o ambiente da sala de aula e o comportamento dos alunos, sinto a necessidade de retomar as leituras e atividades realizadas na Interdisciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais, referente à unidade 5 – Autismo, do Curso de Pedagogia a Distância da UFGRS. Considerando o perfil da turma e a presença de uma criança com necessidades educacionais especiais, percebo que terei grandes desafios especialmente quanto às práticas pedagógicas que terei de adotar para que realmente aconteça a inclusão desta criança para que possa interagir em todos os momentos com os demais colegas, buscando uma educação de qualidade para todos. O que mais chamou minha atenção na leitura realizada foi a afirmação da autora sobre a importância das crianças com autismo terem oportunidade de interagir com outras crianças numa sala de aula regular.
"Muitas vezes a ausência de respostas das crianças deve-se à falta de compreensão do que está sendo exigido e não de uma atitude de isolamento e recusa proposital. A contínua falta de compreensão do que se passa ao redor, aliada à escassa oportunidade de interagir com crianças “normais” é que conduziria ao isolamento, criando dessa forma, um círculo vicioso." (BOSA, p. 09)
A adaptação está sendo complicada e desafiadora para nós: professores e alunos, equipe diretiva e funcionários. Temos buscado entender e compreender o que se passa com esta criança, pois ela não se expressa verbalmente, demonstrando sentimentos de alegria, tristeza, descontentamento ou agressividade através de suas atitudes. Pouquíssimas vezes ela interagiu com os demais colegas. Estamos vivenciando neste 1º momento um processo de construção e reestruturação dos planos pedagógicos para melhor qualificar nossa prática, visando, sobretudo realizar um bom trabalho que consiga inserir esta criança à escola fazendo com que a inclusão se dê, de fato.


REFERÊNCIA

BOSA, Cleonice - Autismo: Atuais interpretações para antigas observações - Curso de extensão promovido pela SEC/RS em convênio com a faculdade de Educação, Medicina e Psicologia da UFRGS. IN http://www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo6/necessidades_especiais/palestracleonice.pdf

sábado, 20 de março de 2010

ESTÁGIO


A ESCOLA EM QUE TRABALHO E ONDE VOU FAZER ESTÁGIO

A escola onde atualmente trabalho como professora permitiu a realização do meu estágio do curso de Pedagogia à distância da UFRGS, com turma do 1º ano do Ensino Fundamental, no turno da tarde. Vou estagiar com minha turma.
A estrutura da escola é harmoniosa e pequena, com dois pisos, quatro salas de aula amplas, sendo uma sala apropriada para Educação Infantil, um auditório com palco que também serve como sala de vídeo. Uma biblioteca ampla com muitos livros diversificados para os alunos e para consultas dos professores, sendo que neste ambiente acontece a hora do conto com a bibliotecária. Uma sala de informática com dezoito computadores, três mesas do positivo com capacidade para três alunos em cada mesa. Existe uma previsão de termos internet a partir do 2º trimestre, com Banda Larga do MEC. A utilização deste espaço fica prejudicada, pois no turno da tarde os alunos só poderão ser atendidos no contra turno, ou quando tiver de vez em quando a professora responsável pelo laboratório, sendo que esta professora só trabalha no turno da manhã. Temos também um refeitório, uma cozinha, uma sala de professores, uma secretaria com sala de supervisão e direção, uma pracinha, uma quadra de futebol e uma horta.
As turmas têm um número pequeno de alunos, no turno da manhã são 52 alunos e no turno da tarde são 53 alunos. No total são 105 alunos. São 17 professores que trabalham na escola, sendo que três destes professores são da equipe diretiva, eleitos por uma eleição democrática, com a participação de todo o segmento da comunidade escolar.
A escola atende uma comunidade de classes sociais média/baixa, pobre e muito pobre, nos seguintes níveis de ensino: Educação Infantil I e II (04 e 05 anos respectivamente), 1º.ano, 2º.ano, 3º.ano, 4º.ano, 5º.ano do Ensino Fundamental de nove anos e 5ª.série do Ensino Fundamental de oito anos. A escola funciona nos turnos manhã e tarde, sendo que pela manhã estudam os alunos da Educação Infantil II (5 anos), do 4º.ano, 5º.ano e da 5ª.série e, pela tarde, os alunos da Educação Infantil I (4 anos), do 1º.ano, do 2º.ano e do 3º.ano. Há apenas uma turma de cada ano/ série, não havendo classes paralelas.
A equipe diretiva, professores e funcionários abrem espaço e buscam a efetiva participação da comunidade escolar, fazendo chamamento para que a mesma participe da escola.
Eu trabalho nesta escola desde 2000, já trabalhei com alfabetização (1ª série) e ultimamente como professora P2, trabalhando com projetos nas turmas de 1º, 2º e 3º anos. Neste ano assumi uma turma de 1º ano em que vou fazer meu estágio. Já estou atuando desde o inicio do ano letivo com esta turminha, observando, analisando, fazendo sondagem e escrevendo o perfil da turma.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

REFLEXÃO SOBRE ESTUDOS REALIZADOS

Refletindo sobre os estudos realizados na interdisciplinas de Linguagem e Educação e Língua Brasileira de Sinais- LIBRAS deste semestre do curso de Pedagogia a Distância da UFRGS. Percebi a importância de conhecermos mais sobre a comunidade surda, sua cultura e sua Língua. Essa falta de conhecimento leva as pessoas a pensarem que sabem libras porque usam alguns sinais e gestos para se comunicarem com os surdos. Não tendo conhecimento de que a libras é como qualquer outra Língua, por exemplo, Língua Inglesa, Língua Indígena, Língua Portuguesa tão complexa como as demais, que expressam sentimentos, emoções e idéias e que através dela os surdos se comunicam e aprendem fazendo uma leitura de mundo. Segundo Quadros e Karnopp (2004) “[...] a língua de sinais é uma língua de fato, e também independe de língua oral. As línguas de sinais são autônomas e apresentam o mesmo estatuto lingüístico identificado nas línguas faladas [...]”.(p. 31-37)
Sabendo que os alunos surdos necessitam de um atendimento diferenciado, e acreditando que freqüentar também a escola regular seria benéfico para ambos os lados. Nesta linha de pensamento e de reflexão, ao planejarmos temos que considerar para quem estamos planejando seja para crianças, jovens, adultos e talvez também para alunos surdos, e como levá-los ao letramento e alfabetização e que recursos nós podemos utilizar para facilitar esta aprendizagem. Ciente de que os alunos têm contato diariamente com o mundo letrado sejam através de propaganda, livros, jornais e as novas tecnologias, tornando-se necessário que o professor saiba aproveitar esses recursos em favor da construção da aprendizagem em sua prática pedagógica em sala de aula. De acordo com Trindade (2005) “Tais reflexões exigem novos olhares sobre os diversos artefatos e práticas sociais e escolares de alfabetização e alfabetismo.”(p.06)
Com estes novos olhares, percebo que aluno surdo necessita de um atendimento diferenciado, pois sua comunicação é através da Língua de sinais, e, portanto tem que haver mais escolas para surdos com professores dominando a libras e assim poder ensiná-los com mais qualidade de ensino. Mas não se pode excluí-los do convívio com a sociedade, e sim fazer com que eles também freqüentem aula com os outros alunos ouvintes, para que possam exercitar sua cidadania. Acredito que essa convivência trará benefícios para ambos, pois o aluno surdo contribuirá com a aprendizagem coletiva nas escolas de ensino regular. Essa troca de experiência e vivência entre ambos faz com que haja uma maior compreensão da Língua de Sinais, que conseqüentemente expandirá e divulgará esse conhecimento para mais pessoas.
Neste sentido:


“O Pandesb descobriu que a política de inclusão, embora Benéfica ao deficiente auditivo, é nociva ao surdo e que este se desenvolve mais e melhor estudando em escolas especificas para surdos, em meio ao caldo de cultura em libras, sob o ensino e acompanhamento sistemático de professores proficientes em libras, que fazem uso desse idiomas como veiculo principal de ensino-aprendizagem, tanto do português quanto de outras disciplinas escolares.
Esse achado, que decorre da diferença cruscial entre alunos surdos (cuja língua materna é libras) e alunos com eficiência auditiva ( cuja a língua materna é português), é ainda mais relevante quando se considera que a quase totalidade dos alunos das escolas para surdos que vem sendo desativas é composta de alunos surdos, e não de alunos com deficiência auditiva, os quais já vinham sendo incluídos normalmente, dada sua maior facilidade de alfabetizar-se e incluir-se por leitura orofacial e leitura e escrita alfabéticas. Como o aluno aprende mais e melhor nas escolas para surdos, a desativação dessas escolas é um desserviço. Uma década de Pandesb revelou que o melhor modelo para o aluno surdo consiste na articulação, em contra turno, entre a educação principal, ministrada primariamente em libras e português escrito na escola especifica para surdos, em presença de colegas surdos e com professor fluente em libras, e a educação complementar com inclusão na escola comum.” (CAPOVILLA, 2009, p. 25)

REFERÊNCIAS
CAPOVILLA, Fernando C. - Avaliação escolar e políticas públicas de educação para os alunos não ouvintes - Pátio Revista Pedagógica - Ano XIII- Maio/Julho, 2009.
QUADROS, Ronice Muller de, KARNOPP, Lodenir Becker, Língua de Sinais Brasileira: Estudos lingüísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.